A segunda edição do evento produzido integralmente por mulheres e aberto a todo o público homenageou a multiartista Ilma Fontes
Realizada no último fim de semana pela Rede Colaborativa Mulheres da Imagem Sergipe (MIS), a segunda edição da Feira Imagina de Artes Visuais se consagrou como um evento de impacto relevante para o cenário artístico sergipano. Com o intuito de alavancar e compartilhar o trabalho de mulheres das artes visuais, gastronomia, música e outras áreas, a iniciativa contou com a produção de 183 mulheres e teve como resultado o retorno de cerca de 10 mil reais para as profissionais que comercializaram suas produções no Museu da Gente Sergipana.
A programação completa incluiu atividades formativas, como oficinas, palestras, leituras de portfólio, exposição de artes, exibição de filmes e ações para o público infantil. Já na área externa, onde aconteceu a feira de economia criativa, artistas visuais e empreendedoras da gastronomia fortaleceram a circulação cultural e a geração de renda. Durante toda a tarde de sábado, o comércio e o lazer foram ainda mais aquecidos pela presença de artistas de peso da música sergipana, como DJ Dandara, Dona Nadir da Mussuca convidando Jaque Barroso, Patrícia Polayne e Sandyalê.
Segundo Dayanne Carvalho, jornalista, fotógrafa e uma das realizadoras do evento, a rede MIS tem o compromisso de disseminar o trabalho das mulheres artistas, principalmente as criativas da imagem, não só do ponto de vista da circulação, mas também de proporcionar um desenvolvimento em relação à renda.
“Tivemos expositoras tanto da parte das artes visuais quanto da gastronomia. Entendemos que um evento como esse tem uma relevância muito grande no trabalho em tríade: o turismo, porque estamos trazendo várias pessoas para circular na feira; a cultura, com a amplitude da programação artística; e o eixo econômico, que proporciona o fortalecimento da renda para as mulheres envolvidas”, destacou Dayanne.
Economia Criativa
Entre as barracas da feira de economia criativa foi possível encontrar diversos tipos de produtos voltados às artes visuais, como quadros, colagens, ímãs, fotografias, cadernos, produtos de papelaria, livros, bolsas e roupas. A área gastronômica contou com opções carnívoras e vegetarianas, com refeições, lanches e confeitaria, incluindo opções regionais, autorais, e bebidas artesanais.
Presente entre as expositoras e integrando também as intervenções artísticas ao longo da programação, a artista visual Mirella Souza representou o coletivo de colagistas Na Cola Delas, e afirmou ser muito gratificante aproveitar a oportunidade de colaborar com o evento, principalmente por ser um espaço construído por mulheres.
“Conseguimos ter essa troca com o feminino também, com a mulherada, e com vários espaços, tanto para crianças, como foi a intervenção dinâmica com o coletivo Na Cola Delas, e a feira também, onde podemos trazer as nossas artes, o que a gente faz e produz. Na feira, também estivemos com o coletivo Na Cola Delas e foi uma honra ocupar um espaço que deveria existir mais vezes aqui no nosso estado, aqui em Aracaju. Só agradecer a toda a equipe da Feira Imagina”, detalhou Mirella.
Comercializando sua produção gastronômica pela primeira vez em feiras, Geovannia Santos, idealizadora do restaurante Na Garagem, ficou feliz com a experiência adquirida ao longo da Feira Imagina. “O networking junto com as outras produtoras, essa troca de falar sobre outras feiras, de trocar informações e experiências é muito válida. E o retorno também. Estar assim no tete a tete, na frente com o pessoal que tá consumindo, e ver eles darem o retorno, é muito importante. É muito contagiante ver o público falando o quanto está bom”, celebrou.
Alegria e emoção nos palcos
As apresentações acompanharam toda a duração da feira de economia criativa, com shows que aconteceram das 14h às 20h do sábado. A tarde começou com a DJ Dandara, que definiu o tom de alegria e brasilidade para permear todo o espaço. Em seguida, Dona Nadir da Mussuca e Jaque Barroso juntaram sua força e talento para entregar um show contagiante e celebratório à cultura tradicional sergipana.
Para Dona Nadir, foi um momento maravilhoso, em que ela ficou muito orgulhosa e feliz por mostrar sua cultura a todo o estado e o país, o que considera uma de suas missões mais importantes. “Esse show foi incrível, muito bonito. Jaque Barroso nos ajuda muito. Espero que sejamos convidadas de novo para entregar um show com muito amor e paz, porque eu gosto de fazer cultura em todo Sergipe e Brasil. Adorei, foi uma tarde maravilhosa de paz e amor”, pontuou.
Emocionada pela sua proximidade com a artista homenageada, Ilma Santos, a cantora Patrícia Polayne iniciou a noite com uma apresentação inspiradora, que culminou em uma performance poética com a leitura de um poema de Ilma sobre ela. “Estou muito feliz pelo convite, principalmente pela minha proximidade com Ilma Fontes, que é um afeto na minha vida, na minha existência, uma referência muito forte como mulher, como ativista, como articuladora e pensadora. Espero que o movimento feito nessa feira, que trouxe e exaltou talentos de outras mulheres do audiovisual, da música, da poesia, se mantenha e se perpetue por muito mais tempo, pois Sergipe é um celeiro de mulheres poderosas”, ressaltou Polayne.
O evento foi encerrado com o show de Sandyalê, que eletrizou o público e fechou com chave de ouro a alegria contida em todo o dia de atividades. O público aprovou todas as etapas, como a gestora Camila Lopes, que se sentiu inspirada ao perceber como momentos de exposições artísticas como esse são primordiais para que outras mulheres enxerguem que é possível estar em lugares de arte e protagonismo.
“Aracaju ainda tem poucas galerias, e é muito legal ter acesso a um espaço em que eu possa conhecer e adquirir diversas obras de arte. Além disso, os diálogos que se promovem entre as artistas e o público fomentam uma troca importante de experiências e conhecimentos. Às vezes, dores que poderiam ser vistas como individuais passam a ser percebidas como coletivas. E aí, quando você vê que uma dor é coletiva, você entende que aquilo, na verdade, é um problema social, e começa a pensar em soluções e políticas públicas”, explicou.
O fotógrafo Aquiles Castro foi outro espectador que estava empolgado em participar das diversas atividades oferecidas pela feira. “Achei a organização maravilhosa por ter feito toda essa programação. Eu tenho amigos aqui e acho importante ver novos olhares também, porque isso é essencial para movimentar o cenário artístico sergipano em geral”, concluiu.
A segunda edição da Feira Imagina integra o Edital de Chamamento Público da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) nº 06/2025 para Festivais, Feiras e Mostras, com apoio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e do Governo Federal. Esta é, ainda, uma iniciativa totalmente pensada e produzida por mulheres e pessoas não-binárias, mas sua programação se estende a todos os tipos de públicF.
Foto: Brígida Barreto




