Foto: Ascom/SM

Capacitação reúne médicos e enfermeiros em quatro dias de atividades voltadas à prevenção, identificação precoce, manejo e acompanhamento das condições cardiovasculares.

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), promoveu nesta terça-feira, 6, o I Simpósio de Cardiologia da Atenção Primária à Saúde de Aracaju. O evento buscou qualificar médicos e enfermeiros da rede municipal para ampliar a prevenção, o diagnóstico precoce e a assistência às condições cardiovasculares. Realizado na Universidade Tiradentes (Unit), campus Farolândia, das 8h às 17h, o evento reúne trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) em uma programação voltada ao fortalecimento do cuidado e à maior resolutividade dos atendimentos nas unidades básicas de saúde.

A iniciativa integra as ações de Educação Permanente em Saúde e foi estruturada a partir das necessidades identificadas no cotidiano dos serviços. A programação inclui temas como interpretação do eletrocardiograma, arritmias, síncope, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, anticoagulação oral, cardiopatia na gestação, dor torácica, acompanhamento pós-infarto e indicação de exames cardiológicos. Também são abordados o papel da equipe multiprofissional e os critérios para regulação e encaminhamento à atenção especializada.

De acordo com a consultora extraordinária da SMS, Iraneide Santos, o Simpósio de Cardiologia integra diferentes áreas da rede em uma estratégia conjunta e fortalece a atuação integrada dos serviços. “Com isso, buscamos tornar a Atenção Primária cada vez mais resolutiva, para que o paciente seja melhor cuidado e acompanhado nesse primeiro nível de atenção, que é o ordenador do cuidado. A iniciativa também contribui para otimizar o trabalho em rede, garantindo que o usuário seja bem orientado na Atenção Primária e que os casos que possam ser resolvidos nesse nível não precisem ser encaminhados desnecessariamente para a Atenção Especializada”, destacou.

 A qualificação também busca ampliar a segurança dos profissionais diante de situações que exigem atendimento inicial e conduta rápida. Segundo Marise Viana, enfermeira do Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (Nucar) e integrante da comissão de educação científica, o objetivo é fortalecer a capacidade de resposta das equipes antes do encaminhamento à atenção especializada.

“O objetivo primordial foi fortalecer o atendimento em cardiologia ainda na ponta. O paciente que chega à unidade de saúde com sintomatologia cardiológica, uma dor no peito, taquicardia, o coração acelerado, uma arritmia, tudo isso, o profissional que está na ponta tem a capacidade de dar o primeiro atendimento. O médico de saúde da família é preparado para atender as intercorrências cardiológicas que o paciente possa apresentar”, explicou.

A construção da capacitação envolveu diferentes áreas da SMS, considerando necessidades identificadas em campo e metas estabelecidas para a rede. De acordo com Cristiane Oliveira, coordenadora do Centro de Educação Permanente em Saúde (CEPS), o processo reúne as áreas responsáveis pela assistência, educação permanente e análise de evidências científicas. “São evidências identificadas dentro da rede de assistência à saúde e oportunidades de promover tanto qualificações quanto alinhamentos e protocolos que aprimorem a assistência”, reforçou.

Para os profissionais que atuam diretamente nas Unidades de Saúde da Família (USF), a atualização contribui para ampliar a segurança na condução dos casos. “Ter contato com os especialistas e com conhecimentos atualizados nos dá mais segurança para atuar na Atenção Básica, inclusive diante de casos mais complexos. Como porta de entrada do paciente, precisamos ter um olhar amplo para identificar sinais de alarme, conduzir o que for possível na unidade e encaminhar à Atenção Especializada quando necessário”, ressaltou a médica da USF Carlos Fernandes, Lídia Prado.

O Médico da USF Oswaldo de Souza, Victor Noronha, também destacou a importância do evento. “Essa capacitação é necessária, pois contribui para a atualização clínica e para a prevenção, além do uso adequado da rede especializada. A gente também consegue ser mais resolutivo nos casos que chegam à unidade de saúde. Isso é muito positivo para todos”, ponderou.

Na avaliação da enfermeira Micheline Costa, da USF Walter Cardoso, o fortalecimento das capacitações amplia a preparação das equipes e pode refletir diretamente na assistência aos usuários. “As principais queixas relacionadas aos sinais e índicos de cardiopatias começam principalmente entre os pacientes que têm hipertensão arterial. Muitos não têm uma boa adesão ao tratamento e evolui com algumas patologias cardíacas. Com essas capacitações, a gente pode estar mais atento aos primeiros sintomas para seguir com os encaminhamentos necessários”, concluiu.

Formação de turmas

A programação do I Simpósio de Cardiologia da Atenção Primária à Saúde de Aracaju terá continuidade. A primeira turma, iniciada em 6 de outubro, retoma as atividades na quinta-feira, 8, no Auditório Padre Melo. A segunda turma participa nos 13 e 15 de outubro, no Auditório A do Bloco G. A metodologia inclui exposições dialogadas, discussão de situações clínicas, casos práticos e momentos para perguntas e respostas, aproximando o conteúdo científico das situações vivenciadas pelos profissionais nos serviços.