Arte: Secom UFS

Concorrendo a R$ 200 mil, o "Ciência é Fundamental" supera 1.500 projetos e inova o ensino de ciências nas escolas

O projeto “Ciência é Fundamental”, idealizado pelos egressos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Camile Porto, do curso de Física, e Kauan Rodrigo dos Santos, de Ciências Biológicas, foi selecionado para a semifinal do Prêmio LED Globo 2027. A iniciativa está entre os 80 semifinalistas escolhidos entre mais de 1.500 projetos de educação inscritos em todo o país.

Com o propósito de fortalecer a educação científica e apoiar professores da educação básica, o projeto aposta em práticas ativas de aprendizagem, que estimulam a participação dos estudantes e aproximam os conteúdos científicos de experiências práticas em sala de aula. A iniciativa é orientada pela professora da UFS Lara Arguelho e recebeu apoio da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFS (Agitte.se) por meio dos editais InoveEdu, em 2023, 2025 e 2026, e Socialize-se, em 2024.

Ao longo do desenvolvimento do projeto, os idealizadores perceberam que estimular os alunos a aprender na prática era apenas parte do caminho: também era preciso apoiar os educadores e simplificar a adoção de estratégias de aprendizagem ativa no cotidiano escolar. Essa percepção ganhou força durante as mentorias da Fundação Fenômenos e levou à criação de e-books interativos, de um site de acesso gratuito e da Caixa da Ciência. As ferramentas foram pensadas para auxiliar os professores na preparação de atividades e na construção de experiências de aprendizagem mais participativas. Os materiais estão disponíveis em cienciaefundamental.com.

A orientadora Lara Arguelho explica que “a iniciativa do projeto Ciência é Fundamental tem como proposta pedagógica a formação integral de jovens pesquisadores interessados em inovação no ensino, metodologias para o ensino de Ciências, experimentação e divulgação científica. Os materiais didáticos produzidos visam auxiliar o planejamento docente de professores da educação básica, oferecendo atividades de baixo custo e parametrizadas, que detalham conteúdos didáticos, tempos de aplicação, custos e alinhamento com as habilidades da BNCC”.

“Além de apoiar a atividade de ensino de professores da educação básica, o processo criativo e a mentoria durante a criação dos materiais didáticos colocam o graduando em posição de protagonismo, atuando como elaborador de atividades científicas com ênfase na observação, no levantamento de hipóteses, na experimentação e na discussão. Dessa forma, a iniciativa beneficia licenciandos e futuros professores, aproximando a universidade da realidade das salas de aula da educação básica”, destaca.

Para Kauan Rodrigo dos Santos, as conquistas do projeto têm sido “um sonho”. “No primeiro semestre, estivemos entre os 20 finalistas do Fenômenos Academy 2026, entre mais de 800 projetos inscritos. Foi uma experiência indescritível estar na grande final, em São Paulo, apresentando esse nosso projeto nascido em Sergipe, nascido na UFS, e que tem potencial para transformar a educação em todo o país”, conta.

“Agora, estar entre os 80 semifinalistas do Prêmio LED 2027, entre mais de 1.500 inscritos, é mais um sinal de que estamos no caminho certo. Faremos de tudo para chegar à grande final e concorrer ao prêmio de R$ 200 mil, mas, desde já, nos consideramos vitoriosos”, completa.

Camile Porto afirma que “essas oportunidades foram importantes para nossas escolhas de vida, para a construção do pensamento crítico e para estreitar a nossa relação com a ciência”. Ela lembra ainda o quanto gostaria de ter tido acesso a oportunidades como essas antes, ainda no ensino fundamental.

“Começamos aos poucos, em 2023, e a UFS foi fundamental para fomentar essa ideia desde o início, com ideias, contribuições e espaço que ajudaram a moldar o projeto para que ele se tornasse o que é hoje. O reconhecimento pelo Fenômenos Academy e pelo Prêmio LED traz uma emoção imensa, mas também a sensação de que estamos no rumo certo”, acrescenta.

Rodrigo Santos, gestor de Design e Comunicação da Agitte.se, ressalta a importância dos editais Socialize-se e InoveEdu. “Acreditamos que editais como esses são fundamentais no ambiente acadêmico, porque transformam a UFS em um berço de atividades de impacto real. Eles levam a inovação tecnológica e social para além dos muros acadêmicos e dão aos estudantes e pesquisadores o suporte necessário para criar soluções práticas, presentes no dia a dia das pessoas. É o investimento que conecta o conhecimento gerado em sala de aula aos problemas reais da sociedade, impulsionando o empreendedorismo que gera transformação e desenvolvimento para o país”, afirma.

Os materiais já chegam às salas de aula. Ismael de Almeida, professor de Ciências e Biologia da Escola Municipal de Ensino Fundamental Florentino Menezes, no bairro Areia Branca, Zona de Expansão de Aracaju, utiliza os e-books do projeto com suas turmas. “Quem está no dia a dia da sala de aula sabe o quanto o planejamento exige tempo, pesquisa e criatividade. Os e-books do Ciência é Fundamental ajudam justamente nesse processo, porque reúnem conteúdos e propostas que podemos adaptar à realidade dos nossos estudantes”, relata.

Para o professor, o material funciona como ponto de partida para aulas mais dinâmicas, contextualizadas e próximas do cotidiano dos alunos. “Isso facilita nosso trabalho e nos permite dedicar mais tempo ao que realmente importa: pensar em como fazer o conhecimento científico chegar aos estudantes de maneira significativa.”

Ismael de Almeida, utiliza os e-books do projeto “Ciência é Fundamental" em uma escola municipal de Aracaju (Foto: arquivo pessoal)
A seleção para a semifinal do Prêmio LED 2027 representa um reconhecimento nacional da iniciativa e amplia a visibilidade de um trabalho que nasceu da trajetória acadêmica de egressos da UFS. O projeto também evidencia como a formação universitária, aliada ao incentivo institucional, pode aproximar o conhecimento científico da sociedade e gerar novas possibilidades para a educação pública.

Lucas Silva – Ascom UFS