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Tese desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Sergipe investiga a psicologia das massas a partir de uma perspectiva interseccional.

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Sergipe (PPGFIL/UFS) recebeu Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese 2026, na área de Filosofia. O reconhecimento foi concedido à tese “A Psicologia das Massas: uma leitura interseccional”, de autoria da doutora Renata Dias Ribeiro, sob orientação do professor Antônio José Pereira Filho.

Criado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Prêmio Capes de Tese reconhece anualmente as melhores teses de doutorado defendidas no Brasil no ano anterior. A premiação contempla trabalhos que se destacam pela originalidade, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação, além da qualidade da produção decorrente da pesquisa.

O reconhecimento coloca em evidência pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação brasileiros e valoriza a produção científica realizada por doutorandos e seus orientadores. Na área de Filosofia, a Menção Honrosa concedida à tese de Renata Dias Ribeiro destaca uma investigação construída ao longo de uma década no âmbito da Universidade Federal de Sergipe.

O trabalho resulta de uma trajetória de pesquisa iniciada ainda na Iniciação Científica, há cerca de dez anos, e que teve continuidade durante o mestrado e o doutorado. Ao longo desse percurso, Renata investigou a formação dos fenômenos de massa e da multidão, ampliando a discussão a partir de uma abordagem que considera os atravessamentos de raça, gênero e classe.

Para o orientador, a trajetória da pesquisa evidencia a continuidade de um projeto acadêmico desenvolvido ao longo dos anos com seus orientandos. “A tese da Renata começou em um projeto de Iniciação Científica. É importante destacar que fizemos um dossiê, grupos de estudo, inclusive durante a pandemia. A tese está atrelada ao desenvolvimento de um longo projeto de pesquisa com todos os meus orientandos e orientandas. Cabe destacar que, no caso da tese de Renata, a relação que ela estabelece entre psicologia das massas e interceccionalidade, talvez seja sua contribuição mais original”, destacou o professor Antônio José Pereira Filho.

Uma década dedicada à pesquisa

A relação de Renata com o tema começou ainda na graduação, quando a pesquisadora desenvolveu seu primeiro projeto de Iniciação Científica sobre a psicologia das massas. A investigação avançou posteriormente no mestrado e ganhou novos contornos no doutorado.

Segundo a pesquisadora, a tese buscou construir uma leitura crítica da tradição da psicologia das massas, questionando a compreensão da multidão como um fenômeno homogêneo. “Minha trajetória de pesquisa sobre psicologia das massas começou ainda na iniciação científica, há dez anos, e teve continuidade no mestrado, sempre sob a orientação e parceria do professor Antônio José Pereira Filho. No doutorado, aprofundei esse percurso, produzindo uma espécie de genealogia crítica da psicologia das massas, atravessada pela perspectiva e pelo método interseccional”, explicou Renata.

A perspectiva interseccional adotada na pesquisa permite analisar como diferentes marcadores sociais se relacionam na constituição dos sujeitos e dos fenômenos coletivos. “Foi nesse movimento que passei a questionar a ideia de uma massa homogênea, buscando compreender como raça, gênero e classe atravessam a constituição dos sujeitos e dos fenômenos da multidão”, acrescentou a pesquisadora.

Reconhecimento de um percurso coletivo

A Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese representa, para Renata, não apenas o reconhecimento do trabalho desenvolvido no doutorado, mas também de uma trajetória acadêmica construída ao longo de uma década na Universidade Federal de Sergipe. A pesquisadora afirma que o resultado foi recebido com surpresa e alegria, especialmente pelo longo período de dedicação ao tema. “Receber a Menção Honrosa no Prêmio Capes de Tese foi uma surpresa e uma grande alegria. Depois de uma década dedicada a esse tema, ver o trabalho reconhecido tornou ainda mais significativo todo o caminho percorrido”, afirmou.

Para Renata, a UFS ocupa um lugar central nesse percurso, tanto pela formação acadêmica quanto pelas relações construídas durante os anos de pesquisa. “Essa trajetória está profundamente ligada à Universidade Federal de Sergipe, não apenas como espaço físico e institucional, mas também como espaço simbólico de formação e pensamento. Foi na UFS que encontrei pessoas fundamentais para minha formação e para as reflexões que deram origem à tese”, destacou.

Ao receber a homenagem, a pesquisadora também ressaltou o caráter coletivo da construção do conhecimento acadêmico. “Por isso, recebo essa homenagem também como um reconhecimento de um percurso construído coletivamente”, concluiu.

O reconhecimento nacional da tese reforça a produção científica desenvolvida no campo da Filosofia na Universidade Federal de Sergipe e evidencia a trajetória de pesquisas que articulam questões filosóficas contemporâneas a debates sobre raça, gênero, classe e os processos de constituição dos fenômenos coletivos.