Foto: Divulgação
Evento reúne especialistas e destaca o papel das startups jurídicas na modernização da advocacia; para eles, a tecnologia não substitui advogados, mas exige adaptação profissional
O desenvolvimento de tecnologias e de startups dedicadas ao meio jurídico, também chamadas lawtechs e legaltechs, já é uma realidade que começou a transformar o próprio exercício do Direito e o mercado de trabalho para os profissionais da área. E vai facilitar o trabalho de quem estiver disposto a acompanhar esta evolução. Esta foi a conclusão de um debate promovido nesta quarta-feira, 22, pela Universidade Tiradentes (Unit), em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE) e o Tiradentes Innovation Center (TIC).
O evento “Conexão Jovem Advocacia”, que teve como tema “Startups jurídicas, lawtechs e legaltechs e a redefinição do mercado: a tecnologia transformando o presente e o futuro da carreira”, reuniu advogados com experiência na área tecnológica e com a criação de startups, além de profissionais diretamente ligados a estes setores, como o superintendente interino do Sebrae Sergipe, Christiano Dias Lebre; e a pesquisadora Patrícia Severino, professora do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS) e pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit.
Segundo a professora Samyle Regina Oliveira, docente do curso de Direito e coordenadora dos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em Direito da Unit, a ideia do debate é apresentar aos estudantes uma nova realidade profissional que vem se desenhando no mercado de trabalho da área de Direito, a partir de novas demandas, dinâmicas e possibilidades que foram sendo aceleradas ao longo desta década.
“Nós falamos através de discussões com empreendedores, incluindo advogados que criaram startups, para que eles nos trouxessem quais são as experiências a partir dessas criações e como eles visualizam que haverá uma transformação. Os alunos que estão prestes a se formar vão se deparar com um mercado de trabalho muito diferente daquele que eu e outros colegas que se formaram em outro momento já se depararam. Naturalmente, as novas tecnologias e a própria inteligência artificial vão gerar uma dinâmica de relações que antes não era a nossa. Dessa forma, nós buscamos ofertar debates, discussões e trocas de experiências em relação àquilo que há de mais novo e tecnológico e que gera um impacto direto no exercício da advocacia”, destacou Samyle.
Para o diretor de Empreendedorismo Jurídico da OAB/SE, Cândido Dortas de Araújo, as tecnologias jurídicas estão transformando o mercado na prática. “Hoje, a gente não vive o Direito sem tecnologia, e quem não aprende a utilizá-la vai ficar realmente fora do mercado. As startups jurídicas vêm para facilitar e otimizar esse trabalho de elaborar as peças jurídicas, o que faz com que a gente tenha mais tempo e oportunidades de fazer a atividade fim de uma forma mais robusta. As novas tecnologias não vêm para substituir a advocacia, mas sim aqueles que se neguem a utilizá-las”, disse ele, afirmando que a Unit sai na frente ao levantar esse tema. “Quando você já tem essa bagagem da academia, já chega diferenciado para a profissão. Eu sou egresso da Unit e posso dizer com conhecimento de causa que esse é um diferencial muito grande para quem quer viver e praticar a atividade jurídica”, completou.
Outra egressa da Unit que se especializou na área é a advogada Laura Lisboa, que atua nos ramos de Direito Digital e LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Para ela, todas as tecnologias lançadas no mercado jurídico chegaram para auxiliar muito o trabalho do advogado. “A gente sempre escuta que ‘a tecnologia vai tomar o trabalho do advogado’, mas isso não é uma realidade. A gente vê que a tecnologia vem para fomentar a nossa criatividade enquanto operadores do direito e auxiliar todos os dias no trabalho jurídico. Um advogado que demoraria horas e até dias para fazer um processo consegue agora, em minutos, ter uma definição do que ele vai passar para o cliente”, explica.
Interesse dos alunos
Muitos estudantes que participaram do Conexão Jovem Advocacia são alunos do primeiro período de Direito, que encontraram no debate sobre startups jurídicas uma oportunidade de se inteirar sobre as áreas profissionais com maior demanda na atualidade e no futuro. “Eventos assim nos aproximam do mundo jurídico. Além do network, fazem a gente entender como funciona todo esse ambiente, além de nos auxiliar a encontrar uma área de atuação desde cedo, o que pode ser muito benéfico, já que a gente pode ter um guia para seguir desde o início do curso. Acredito que a tecnologia, se for usada da forma certa, pode sim contribuir para o meio jurídico. Não são duas coisas que se afastam. E eu acho que, a partir da palestra de hoje, poderemos entender ainda mais como isso pode funcionar e nos auxiliar no meio jurídico”, diz a aluna Júlia Fontes Lima.
“Eu gostei da ideia de falar um pouco sobre a questão da tecnologia no sentido das leis. Isso me chamou muita atenção, porque é um campo pouco explorado. Quanto mais nos informarmos, mais estaremos atentos às leis que podem adentrar nesse âmbito. E quanto mais conhecimento que a gente adquire em qualquer área do campo do direito, vai ser importante. Em tantas outras áreas também. É importante para o nosso currículo, desde o primeiro período, a gente se informar e já se manter atento às novidades e palestras”, acrescenta a estudante Ana Jeyse Silva Santos Lima.
O Encontro Regional
O encontro realizado no Tiradentes Innovation Center, no Campus Farolândia, faz parte da programação do 8º Encontro Regional da Jovem Advocacia do Nordeste (8º Erjan), promovido pela OAB/SE, que acontece no Porto Farol Eventos, em Aracaju. Com o tema “Advocacia do futuro: inovação, protagonismo e transformação”, o evento foi aberto nesta quarta-feira, 22, com uma palestra do jurista Flávio Tartuce, pós-doutor em Direito Civil pela Universidade de São Paulo (USP), que abordou as discussões sobre a reforma do Código Civil brasileiro.
A programação segue ao longo desta quinta, 22, reunindo cerca de 1.500 advogados de todo o país, especialmente da Região Nordeste, além de mais de 40 palestrantes locais e nacionais. O objetivo é promover capacitação técnica, integração institucional e fortalecimento da jovem advocacia, através de debates com grandes nomes do cenário jurídico, painéis temáticos atuais e espaços de networking.
A Unit é a patrocinadora oficial do 8º Erjan. Para o secretário-geral adjunto da OAB/SE, Raphael Azevedo Reis, os eventos jurídicos se complementam e demonstram a preocupação das duas instituições com o fortalecimento e o aprimoramento do conhecimento para a jovem advocacia e os estudantes de Direito. “Essa parceria entre a Unit e a OAB agrega conhecimento, e o conhecimento não tem preço. Quanto mais se conhece, e aqui especificamente sobre tecnologia, você consegue entregar muito mais para o mercado. O mercado pede isso, a tecnologia e o mundo contemporâneo pedem isso”, destacou Raphael.
Autor: Gabriel Damásio
Fonte: Asscom Unit



