Projeto InSpectra IoT, que monitora ruído e conforto ambiental em tempo real, conquista primeiro lugar em Sergipe e segue para etapa nacional
Realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pela Bett Brasil, maior evento educacional do país, e pelo Instituto Significare, o Prêmio Educador Transformador chega à sua terceira edição com o objetivo de identificar, valorizar e impulsionar propostas capazes de gerar impacto na educação brasileira. Destinado a professores da Educação Infantil ao Ensino Superior, o prêmio enfatiza a educação empreendedora e, ao contrário de outras premiações, prioriza ideias em desenvolvimento, e não apenas iniciativas já finalizadas.
Neste ano, educadores de diversas regiões do Brasil foram mobilizados em torno do tema “Educação para enfrentar crises e construir futuros sustentáveis”, incentivando soluções voltadas a desafios como mudanças climáticas, saúde mental, tecnologias digitais, equidade e metodologias ativas. Na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação, os critérios de avaliação incluem impacto comprovável, potencial de replicação, protagonismo dos estudantes e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Foi nesse cenário que o professor dos cursos de Engenharia da Universidade Tiradentes (Unit), Silvio Leonardo Valença, conquistou o primeiro lugar na fase estadual em Sergipe. Ele apresentou o projeto InSpectra IoT, desenvolvido no Centro de Excelência Governador Albano Franco (CEGAF), em Aracaju, que propõe o monitoramento inteligente do ambiente escolar com foco em inclusão e qualidade de vida.
Segundo Silvio, o diferencial da premiação está no caráter formativo da trajetória. “Ao contrário de prêmios que valorizam apenas projetos concluídos, essa edição prioriza a ideia e sua proposta. O próprio processo de inscrição já promove crescimento profissional, pois nos leva a organizar melhor a solução, testar hipóteses e pensar em escalabilidade”, explicou.
Projeto premiado
A proposta apresentada consiste em um dispositivo de baixo custo, inferior a R$ 180 por unidade, capaz de acompanhar, em tempo real, os níveis de ruído, temperatura e umidade nas salas de aula. As informações são enviadas via Wi-Fi ou LoRaWAN para um aplicativo utilizado por professores e gestores, possibilitando intervenções rápidas sempre que os indicadores ultrapassam os limites considerados adequados.
Na prática, quando o barulho supera 65 decibéis, o sistema dispara alertas visuais e sonoros. Para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equipamento dispõe ainda de um alerta vibratório discreto, desenvolvido para minimizar sobrecargas sensoriais. De acordo com o professor, essa adaptação foi fundamental para consolidar o caráter inclusivo da iniciativa. “Antes da implementação, registrávamos crises sensoriais em até 40% das aulas acompanhadas. Após o uso do dispositivo, esse índice caiu para cerca de 5%, evidenciando um impacto concreto no cotidiano escolar”, afirmou.
Os resultados quantitativos também chamaram atenção. Conforme Silvio, houve redução média do ruído de 72 dB para 47 dB nas salas monitoradas, além de queda de 30% na fadiga vocal relatada por docentes. “Mais do que coletar dados, a proposta é transformar essas informações em decisões pedagógicas e em melhorias efetivas nas condições de ensino”, destacou.
Outro ponto valorizado na avaliação foi o potencial de replicação em larga escala. Com código aberto e custo acessível, o InSpectra IoT pode ser adotado por outras escolas da rede pública, ampliando o alcance da iniciativa e reforçando o alinhamento com os ODS 11 e 13, relacionados a cidades sustentáveis e ação climática.
Protagonismo estudantil
A conquista do primeiro lugar estadual foi resultado de uma jornada metodológica estruturada em quatro etapas: imersão, ideação, prototipação e desenvolvimento. O percurso teve início com a identificação do problema no ambiente escolar e avançou para testes em três salas de aula, até chegar à implementação em cinco espaços, com resultados devidamente documentados.
Os estudantes do curso Técnico em Segurança do Trabalho do CEGAF tiveram papel decisivo em todas as fases do projeto. Participaram da identificação das demandas, colaboraram na criação do protótipo, realizaram a instalação dos dispositivos, em menos de cinco minutos por sala, e atuam como equipe rotativa de suporte técnico. “Eles não são apenas beneficiados; são coautores da solução. Estiveram presentes no brainstorming, na montagem e na calibração, e atualmente analisam os dados nas disciplinas de Física, Biologia e Segurança do Trabalho”, ressaltou o professor.
Para Silvio, essa experiência transforma o projeto em um verdadeiro laboratório de aprendizagem ativa e empreendedorismo. “Quando o aluno percebe que algo que ele ajudou a construir está contribuindo para melhorar a própria escola, compreende, na prática, o significado de inovação com responsabilidade social”, observou.
A iniciativa partiu do docente, mas rapidamente recebeu apoio institucional e estabeleceu articulação com parceiros estratégicos, como a Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED-SE), além de conexões com universidades e agências de fomento para validação científica e ampliação do projeto.
Reconhecimento e impacto
Com o primeiro lugar na etapa estadual, o projeto avança agora para a fase nacional do prêmio. Para Silvio, o reconhecimento vai além da conquista individual e projeta o trabalho desenvolvido em uma escola pública do Nordeste para o cenário nacional.
“Muitas vezes desenvolvemos práticas inovadoras de forma silenciosa e nos perguntamos se realmente fazem diferença. De repente, surge um reconhecimento nacional que mostra que a nossa atuação é relevante e que o que está sendo feito tem impacto”, refletiu.
No âmbito institucional, a premiação abre oportunidades para novos editais de financiamento, fortalecimento de parcerias e possível expansão para outras unidades da rede estadual. Para os estudantes envolvidos, o efeito também é simbólico. “Quando percebem que um projeto construído dentro da escola pública ganha visibilidade nacional, entendem que ciência e tecnologia não estão distantes da realidade deles. Isso amplia horizontes”, concluiu o professor.
Por: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit



