São Cristóvão volta a se destacar com uma iniciativa pioneira em benefício dos agricultores familiares, marisqueiras e pescadores do município. Por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Aquicultura e Pesca (Semagri), em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), a gestão municipal está desenvolvendo um projeto sustentável e inovador que transforma resíduos de crustáceos em biofertilizante destinado à agricultura familiar. A iniciativa tem potencial para beneficiar cerca de 4 mil produtores locais.

A ação, que alia sustentabilidade ambiental, inclusão social e fortalecimento da economia local, surgiu a partir de um diagnóstico que identificou o descarte inadequado de resíduos de crustáceos, especialmente do caranguejo uçá, na comunidade do povoado Tinharé, tradicional vila de marisqueiros. Diante da problemática, técnicos agrícolas da Semagri e da Emdagro elaboraram uma fórmula de biofertilizante capaz de auxiliar na adubação das lavouras dos produtores que dependem da agricultura tanto para geração de renda quanto para subsistência.

De acordo com o secretário da Semagri, Edmilson Brito, o projeto foi construído em diálogo com a comunidade. “A própria comunidade procurou a secretaria ao identificar o problema no descarte dos cascos de caranguejo. A partir disso, nossos técnicos, em parceria com a Emdagro, analisaram a situação e identificaram a possibilidade de transformar esse material em um biofertilizante foliar, um adubo líquido que será destinado aos nossos agricultores”, explicou.

O biofertilizante foliar é um adubo orgânico líquido fermentado, rico em nutrientes e microrganismos, aplicado por meio de pulverização. Ele proporciona nutrição rápida às plantas, aumenta a resistência a pragas e doenças e contribui para a melhoria da produção. O produto leva, em média, de 30 a 60 dias para ficar pronto.

Segundo Renato Figueiredo, chefe local da Emdagro, o processo consiste na produção de uma farinha a partir dos cascos de caranguejo, que, associada ao esterco bovino fresco, passa por um processo biológico conduzido por bactérias naturais presentes no material, resultando no biofertilizante. “É um produto natural, sustentável e economicamente viável, que reduz o uso de insumos químicos e amplia as alternativas de adubação para os agricultores familiares de São Cristóvão. Além disso, contribui para o meio ambiente ao solucionar uma problemática que vinha crescendo na comunidade”, destacou.

José Valmiro dos Santos, vice-presidente da Associação do Povoado Tinharé, foi quem levou a demanda à gestão municipal e celebrou a iniciativa. “Com o descarte adequado e a estruturação desse projeto, a comunidade passa a ter a oportunidade de crescer e se desenvolver. Vamos evitar a poluição dos quintais, melhorar a qualidade de vida dos moradores e ainda beneficiar os agricultores que mais precisam”, afirmou.

Raimundo Góis, coordenador da Agricultura Familiar, destaca a importância da iniciativa para os trabalhadores rurais. “Trata-se de uma adubação foliar, que representa um avanço significativo, especialmente pela adição das caldas. Esse produto é pioneiro aqui no estado. Para se ter uma ideia, uma tonelada do produto, diluída em 200 litros dessa calda, vai beneficiar cerca de 4 mil produtores rurais”. 

Para Andréia Lima, agricultora familiar, além de ambientalmente correto, o biofertilizante é economicamente vantajoso. “A redução do uso de insumos químicos vai diminuir custos, aumentar a renda dos agricultores e fortalecer ainda mais a agricultura familiar em nosso município”, concluiu.