Foto: Waldemir Barreto/Agência Senad
O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB/SE), criticou a decisão de não prorrogar os trabalhos da comissão e afirmou que continuará utilizando todos os instrumentos institucionais para aprofundar as investigações sobre a atuação de organizações criminosas e possíveis conexões com agentes públicos.
O parlamentar havia protocolado na segunda-feira (6) pedido de prorrogação da CPI por mais 60 dias, com apoio de 28 senadores. O prazo atual de funcionamento da comissão se encerra em 14 de abril. Após reunião realizada na terça-feira (7) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), Vieira informou que a solicitação não será atendida.
Durante pronunciamento em Plenário, o senador disse respeitar a decisão, mas classificou a medida como prejudicial ao país. “É meu dever registrar publicamente que entendo a decisão como um desserviço para o Brasil. Nós temos, nesta Comissão Parlamentar de Inquérito, fatos de alta gravidade, com a criminalidade violenta ocupando território brasileiro e, ao mesmo tempo, a infiltração pela corrupção em centros de poder”, afirmou.
Segundo Alessandro Vieira, a CPI avançou em investigações relevantes, especialmente em dois eixos: a atuação do crime organizado no Estado do Rio de Janeiro e as apurações envolvendo o chamado caso Banco Master. Para o senador, a interrupção dos trabalhos impede a conclusão de apurações sensíveis. “O pouco que conseguimos avançar já representa muito. Este Senado, em mais de 200 anos, nunca apreciou a conduta de ministros da Suprema Corte, e já passou o tempo de fazer essa apreciação, porque a toga não exime ninguém de responsabilidades”, declarou.
O parlamentar também ressaltou que a comissão reuniu elementos que indicam vínculos e decisões questionadas envolvendo autoridades e interesses investigados. “O que a CPI já demonstrou claramente são dados formais e oficiais. A existência de vínculos, de relacionamentos e de decisões tomadas fora daquilo que a lei e a jurisprudência determinam. Esse é o tamanho do problema que está no colo do Senado”, disse.
Alessandro Vieira afirmou que o pedido de prorrogação tinha como objetivo concluir relatórios e aprofundar diligências em andamento, além de consolidar o diagnóstico nacional sobre o avanço do crime organizado. “Não há resgate possível se você não tem liderança honesta no comando do processo, e nós temos essa responsabilidade. O trabalho sempre vai ser sóbrio, respeitoso, mas muito claro e objetivo”, destacou.
Mesmo com o encerramento do prazo da CPI, o senador garantiu que continuará adotando medidas para dar continuidade às investigações. Entre os próximos passos, ele citou a judicialização do pedido de instalação de uma nova comissão específica para apurar o caso Banco Master, que já conta com assinaturas suficientes. “Desistir não está no cardápio. Sei o quanto é difícil enfrentar gente poderosa e rica no Brasil, mas vamos seguir usando todos os instrumentos legais disponíveis”, afirmou.
O parlamentar também ressaltou que a decisão sobre a prorrogação terá repercussão política e institucional. “Cada senador e senadora terá que explicar à população por que não tivemos capacidade de concluir uma apuração que a Constituição nos atribui. Isso ficará registrado na nossa biografia”, disse.
Ao final do pronunciamento, Alessandro Vieira reforçou que continuará defendendo o avanço das investigações e a responsabilização de eventuais envolvidos. “Vamos seguir tentando trazer ao brasileiro a esperança de que isto aqui vai ser uma República de verdade. A luta continua, com coragem, com transparência e dentro da lei”, concluiu.




