A deputada estadual Linda Brasil (Psol) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na manhã desta terça-feira, 3, para chamar atenção para o uso das chamadas “emendas Pix” no financiamento de shows milionários em municípios sergipanos. A parlamentar fez referência à reportagem publicada pela revista Veja, em 27 de fevereiro de 2026, que expõe a destinação de recursos federais por meio de transferências especiais.

Linda destaca que Sergipe lidera o ranking dos estados que mais destinaram emendas Pix para shows, em alguns casos com valores que ultrapassam R$ 1 milhão. “Em Sergipe, foram R$ 28,1 milhões destinados, enquanto Minas Gerais, segundo estado no ranking, destinou R$ 7,6 milhões”, comparou a parlamentar.

Entre os casos repercutidos pela deputada esteve o do município de Malhador, cidade com pouco mais de 11 mil habitantes, que recebeu um show do cantor Wesley Safadão ao custo de R$ 900 mil, pagos com recursos públicos federais oriundos de emenda parlamentar. Conforme a reportagem, o evento teria sido um desejo do prefeito Assisinho (PSD), que participou da apresentação no palco e agradeceu publicamente ao parlamentar.

“É preciso dizer com clareza: dinheiro público não existe para realizar sonhos pessoais de gestores. Existe para garantir direitos à população”, afirmou Linda Brasil durante o discurso.

A deputada destacou ainda que a própria matéria aponta a desproporção do gasto ao indicar que, mesmo que cada morador da cidade pagasse R$ 75 por ingresso, o valor não seria suficiente para cobrir o cachê do artista. Além desse caso, diversos parlamentares foram citados, o que despertou a preocupação com relação aos riscos de uso político dos recursos em ano eleitoral.

Linda cobra medidas de fiscalização das emendas Pix e cita a iniciativa de municípios da Bahia, com a campanha “São João sem Milhão”, que visa conter gastos excessivos nas festas juninas, com o objetivo de preservar a cultura dos festejos juninos sem comprometer a saúde financeira das prefeituras e do estado. A medida surgiu após a alta significativa dos cachês de bandas que se apresentam nas festas locais.

“É uma iniciativa importante que deveria ser implementada em Sergipe, além de serem realizadas fiscalizações quanto às ‘emendas Pix’. Estamos em ano eleitoral. Precisamos ter cuidado para que não se use o dinheiro público para beneficiar gestores. É preciso ter responsabilidade com a destinação do dinheiro público do nosso estado”, concluiu, salientando que, em Sergipe, a iniciativa já conta com o apoio do Ministério Público de Sergipe (MPSE) e do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE).