O senador Laércio Oliveira defendeu a atualização do teto do microcrédito e a valorização dos pequenos empreendedores, durante participação no Meet Point Estadão, realizado nesta terça-feira (26), em debate sobre os desafios do financiamento produtivo no Brasil.

Relator do PL 1472/2026, que prevê a correção anual pelo IPCA dos limites das operações de microcrédito, Laércio afirmou que o país precisa enxergar nos pequenos negócios uma força de transformação econômica e social. “Se a gente não reconhecer nesses empresários a capacidade de transformação e não oferecer condições para eles crescerem, eles vão recorrer a outros caminhos. Muitas vezes acabam indo para o agiota, que cobra aquilo que a pessoa não consegue pagar”, afirmou.

Segundo o senador, o microcrédito é uma ferramenta essencial para gerar renda, movimentar a economia local e ampliar oportunidades, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.  Ele destacou que esse modelo de financiamento leva em consideração a realidade de quem empreende, como donos de mercadinhos, salões de beleza, açougues, padarias ou pessoas que produzem bolos e doces em casa, por exemplo.

Para Laércio, quando o crédito respeita a realidade do microempreendedor, há redução da inadimplência e mais chances de os negócios continuarem funcionando. “A natureza empreendedora quer promover transformação. O microcrédito liberta as pessoas de um estado de necessidade e entrega esperança de um novo tempo para a vida delas e de suas famílias”, declarou.

O senador também ressaltou que ampliar o acesso ao microcrédito ajuda a evitar o êxodo de trabalhadores que deixam suas cidades por falta de oportunidade. “O microcrédito também evita o êxodo das pessoas que não querem sair da sua região, mas precisam de oportunidade para empreender e sobreviver”, disse.

Laércio explicou que o PL 1472/2026 busca corrigir uma distorção histórica no Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), já que os limites das operações ficaram defasados diante da inflação. “O valor do microcrédito ficou congelado enquanto o custo de vida aumentou. Isso reduz a capacidade de investimento justamente de quem mais precisa”, afirmou.

O debate promovido pelo Estadão reuniu representantes do setor financeiro, especialistas e autoridades públicas para discutir caminhos para ampliar o acesso ao crédito, reduzir a informalidade e fortalecer os pequenos negócios no país.