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Procedimento inédito reforça ainda mais a unidade hospitalar como referência em alta complexidade e transplantes no estado

O Hospital de Cirurgia (HC) escreveu mais um capítulo importante na história da saúde sergipana ao iniciar a realização de transplantes de fígado. O procedimento inédito no estado acontece no ano em que a instituição filantrópica, integrante da Rede Estadual de Saúde e referência em média e alta complexidade, completa 100 anos de existência. Com a implantação do serviço, Sergipe passa a contar com uma alternativa local para o tratamento de pacientes com doenças hepáticas graves que, até então, precisavam ser encaminhados para outros estados.

Os transplantes se tornaram uma realidade no Cirurgia desde janeiro deste ano. De lá para cá, a unidade hospitalar contabiliza 20 transplantes realizados, sendo 18 renais e dois hepáticos, ambos realizados no mês de maio. O primeiro transplante de fígado ocorreu no dia 9 de maio e evoluiu com desfecho negativo. Já o segundo procedimento, realizado no dia 14 de maio, foi concluído com sucesso.

O paciente beneficiado pelo segundo transplante hepático foi o mecânico Edson Lincoln de Albuquerque Ferreira, 63 anos, morador de Aracaju. Atualmente, ele se encontra internado em enfermaria, em boa evolução clínica no pós-operatório, com expectativa de alta nos próximos dias. “Eu renasci. Pedi a Deus que me desse outra chance e ele me deu. Me sinto privilegiado e abençoado por Deus por fazer essa cirurgia. Só tenho gratidão por toda equipe que me operou e está cuidando de mim”, declara.

Equipe especializada

Os transplantes de fígado no HC são conduzidos por uma equipe multiprofissional especializada, formada pelo chefe do Serviço de Transplante Hepático, Dr. Leandro Barros, cirurgião geral e especialista na área, e pelos hepatologistas Dra. Alysson Araújo e Dr. Tirzah Lopes - que integram o Ambulatório. Os profissionais atuam de forma integrada em todas as etapas. Já a realização do procedimento cirúrgico, liderada pelo Dr. Leandro Barros, contou também com os cirurgiões Antônio Júnior, Iago Alencar, Marco Sarmento, Rafael Tavares, Fábio Moura, Otávio Sobral e Jorge Leite.

“Realizamos o primeiro transplante de fígado com sucesso de Sergipe. Esse feito muda a medicina de Sergipe, pois agora os pacientes do estado não precisarão mais sair para fazer o transplante desse órgão. Podem ficar aqui e ser acolhidos da melhor forma possível para realizar o tratamento”, afirma Dr. Leandro Barros.

O transplante hepático é indicado para pacientes com doenças graves no fígado, como cirrose avançada, insuficiência hepática e alguns tipos de câncer hepático, representando, em muitos casos, a única possibilidade de continuidade da vida e recuperação da qualidade de vida.

Tratamento perto da família

Até então, pacientes sergipanos que necessitavam do transplante hepático precisavam ser encaminhados para outros estados, enfrentando deslocamentos e ficando longe da família durante o tratamento. Com a realização do procedimento em Sergipe, passam a contar com assistência especializada mais próxima da sua rede de apoio, desde o acompanhamento ambulatorial até o pós-transplante.

Trata-se de um procedimento extremamente complexo, que exige estrutura hospitalar adequada, equipe especializada e uma rede organizada de assistência. “O transplante de fígado, quando é implementado, carimba a instituição como uma instituição de alta complexidade. É uma cirurgia muito complexa, que requer tanto uma equipe assistencial e médica muito preparada, uma parte de gestão que esteja acompanhando o processo e garantindo a qualidade. Isso faz com que a gente dê passos cada vez mais largos no tratamento de doenças mais complexas”, complementa Dr. Leandro Barros.

Estrutura construída ao longo dos anos

A concretização dos transplantes no Cirurgia é resultado de um processo iniciado em 2022, quando o HC foi habilitado pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes de rim e fígado. Desde então, a instituição investiu na ampliação e modernização do centro cirúrgico, aumento de leitos, qualificação de equipes multiprofissionais e estruturação de uma linha de cuidado voltada ao paciente transplantado. 

Em setembro de 2025, o hospital firmou contrato com o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), viabilizando o início efetivo dos transplantes na unidade. E, em janeiro deste ano, implantou o Ambulatório de Transplante Hepático, responsável pela avaliação, preparação e acompanhamento dos pacientes candidatos ao procedimento. Ele funciona como porta de entrada, reunindo consultas especializadas, exames laboratoriais, de imagem e suporte multiprofissional em todas as etapas do cuidado.

Uma nova chance de vida

Emocionado, Edson relembra o momento em que descobriu a gravidade da doença. “As minhas pernas começaram a inchar e não parou mais. Eu andava e ficava muito inchado, muito líquido. Então, eu procurei um clínico geral que me disse que o meu problema era a fígado, que eu estava com cirrose hepática, e disse que não tinha outra solução a não ser o transplante”, relata.

No Cirurgia e junto com a equipe de transplante hepático, Edson encontrou esperança para uma nova chance de vida. “Foi quando eu conheci a equipe médica daqui Cirurgia. Então, o médico mesmo disse ‘você tem 20 e tantos dias de vida, porque cada dia você está piorando’. Mas, graças a eles, eu estou aqui contando a história pra vocês. Eu nunca vi um hospital tão bem equipado como esse, com uma estrutura que é o negócio de outro mundo”, conta.

Reconhecimento ao avanço da saúde

Na manhã desta segunda-feira, 8, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, visitou o Hospital de Cirurgia e acompanhou a recuperação de Edson Lincoln. “Tivemos a oportunidade de visitar um dos primeiros pacientes transplantados de fígado da história de Sergipe, que está se recuperando muito bem, além de pacientes que passaram pelo transplante renal. É motivo de muita alegria ver essas pessoas recuperando a saúde e a qualidade de vida. Isso demonstra que a parceria entre o Governo do Estado e o Hospital de Cirurgia está dando resultados concretos para os sergipanos”, declarou.

Marco histórico no centenário

Para a interventora judicial do Cirurgia, a enfermeira Márcia Guimarães, o momento reforça a vocação histórica da instituição para os grandes avanços da saúde em Sergipe. “É impossível não se emocionar com um momento como esse. O Cirurgia chega aos seus 100 anos fazendo história mais uma vez e ampliando o acesso da população sergipana a um serviço tão essencial e complexo. Esse transplante representa esperança, vida e a possibilidade de recomeço para muitos pacientes que antes precisavam sair do estado em busca desse tratamento”, destaca.

Márcia Guimarães também ressalta a importância da parceria com o Governo do Estado para a concretização do projeto. “Esse avanço é fruto de muito planejamento, investimentos em estrutura, qualificação profissional e, principalmente, de uma parceria fundamental com o Governo do Estado e a Secretaria Estadual da Saúde, que acreditaram nesse projeto e caminham junto conosco para fortalecer a saúde pública em Sergipe”, finaliza.