Fotos: Ascom SES
Nesta sexta-feira, 17, Sergipe realizou a 17ª captação de órgãos de 2016. A autorização da família de um paciente, vítima de um acidente de trânsito, internado no Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), transformou o momento de perda em novas oportunidades de vida. As córneas e os rins permaneceram em Sergipe, beneficiando pacientes que aguardam por um transplante, enquanto o fígado foi encaminhado para o Distrito Federal.
O doador foi um jovem de 22 anos, internado desde fevereiro no Huse, que permaneceu sob assistência contínua, um cuidado que foi determinante no momento decisivo. Mesmo após o longo período de internação, os órgãos foram considerados viáveis para transplante, o que surpreendeu positivamente a equipe e reforçou a qualidade da assistência prestada.
“Esse foi um caso que chamou atenção da equipe. Era um paciente internado há bastante tempo, mas que recebeu todo o suporte necessário. Quando fomos acionados, encontramos um quadro muito bem conduzido, com órgãos em condições de doação. Isso evidencia o compromisso das equipes com cada paciente, do início ao fim”, destacou a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) Sergipe, Darcyana Lisboa.
Em 2026, foram captados três corações, 10 fígados e 23 rins, números que refletem o fortalecimento da rede estadual e o trabalho integrado entre as equipes da capital e do interior.
Hospitais regionais capacitados
O avanço na doação de órgãos em Sergipe também passa pela interiorização dos serviços de saúde. Hospitais regionais têm assumido um papel cada vez mais ativo em etapas que antes estavam concentradas na capital.
Na região Agreste, o Hospital Regional Dr. Pedro Garcia Moreno Filho, em Itabaiana, tornou-se símbolo desse avanço. A unidade foi a primeira do interior sergipano a realizar captação de órgãos e, desde o início desse processo, no ano passado, já soma três procedimentos, dois deles realizados em menos de dois meses.
Outro exemplo vem do Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória. Recentemente, uma paciente de 55 anos teve todo o protocolo de morte encefálica conduzido na própria unidade, sem necessidade de transferência para a capital. “A gente percebe uma mudança de postura nas equipes do interior. Antes, ao identificar um caso, a tendência era transferir. Hoje, os profissionais querem conduzir o processo, participar ativamente. Isso demonstra preparo, segurança e compromisso com cada etapa”, afirmou Darcyana.
A nova dinâmica traz mais agilidade ao processo e também mais humanização no cuidado, permitindo que o paciente permaneça próximo da família, em sua região, enquanto as equipes locais assumem um papel protagonista, com suporte técnico da OPO.
O coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe, Benito Oliveira Fernandez, destaca que o engajamento dos hospitais regionais tem impacto direto no aumento das doações e, consequentemente, nas chances de salvar vidas.
“Com o comprometimento dos hospitais regionais do nosso estado há uma otimização no número de doações, o que contempla mais oportunidade de salvar vidas através do transplante. A Organização de Procura de Órgãos faz busca ativa em todos os hospitais que notificaram pacientes em suspeita de morte encefálica, ou seja, pacientes neurocríticos em ventilação mecânica. O transplante é uma modalidade terapêutica que salva vidas”, destacou.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Central Estadual de Transplantes (CET) reforçam que a doação de órgãos só é possível com a autorização da família. Por isso, é fundamental que cada cidadão comunique ainda em vida o desejo de ser doador. Um “sim” pode transformar a dor em solidariedade e representar um recomeço para quem aguarda por uma nova chance.




