O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (26) o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino, e o ministro do Esporte, André Fufuca, para discutir a organização da Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como anfitrião. Eles também discutiram, em Brasília, a candidatura brasileira para sediar a Copa do Mundo de Clubes.

Além deles, o encontro teve a presença do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, e do técnico da seleção masculina, Carlo Ancelotti. Segundo o chefe da entidade de futebol do Brasil, a expectativa é de que o país dispute para ser sede do Mundial de Clubes de 2029. A Fifa não divulgou ainda quem são os países que pretendem receber o torneio. 

“Isso é um assunto que a gente já lançou, ainda não lançamos a campanha em si, mas já se fala nos bastidores. Vamos trabalhar para isso, acreditamos que o Brasil está apto a receber esse evento grandioso. Isso requer muita conversa, ajustes, mas vamos colocar nossa candidatura para 2029”, disse Xaud depois do encontro. 

A reunião também acontece meses antes da disputa da Copa nos Estados Unidos em meio a um bloqueio estadunidense à emissão de vistos para outras nacionalidades, inclusive para brasileiros. Segundo a Casa Branca, a meta é “proteger” os cidadãos estadunidenses. Isso, somado às agressões do presidente Donald Trump contra outros países como a Venezuela e Irã, levou ao boicote de alguns países ao torneio. 

Infantino, no entanto, desconversou sobre a questão e valorizou a realização do evento esportivo, mesmo depois da postura de Washington. Ele disse a jornalistas que a ideia é “olhar para frente” e afirmou que, até agora, o público buscou por mais de 500 milhões de ingressos para a Copa de 2026. 

“Eu olho para o futuro sempre e o que é importante em eventos de futebol como a Copa do Mundo, a Copa do Mundo Masculina ou a Feminina aqui no Brasil é que elas unem as pessoas”, afirmou o presidente da Fifa. 

Infantino, no entanto, já demonstrou apoio a Trump em outras ocasiões. O presidente dos EUA foi premiado em dezembro de 2025 com o Prêmio da Paz da Fifa, premiação criada no ano passado para celebrar líderes que “pregam pela união”. O presidente da Federação também já disse em outras ocasiões que daria o prêmio Nobel da Paz para o republicano pelo acordo de cessar-fogo temporário na Faixa de Gaza. 

O encontro foi realizado no dia seguinte ao lançamento da marca da Copa do Mundo Feminina no Rio de Janeiro. Na semana passada, Lula assinou uma Medida Provisória regulamentando o uso de marcas e do direito de transmissão do Mundial de 2027. O evento vai de 24 de junho a 25 de julho de 2027, e terá 32 seleções em oito cidades-sede: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza.

As normas incluem restrição comercial e publicidade em áreas específicas ao redor dos estádios e do evento oficial Fifa Fan Fest. A medida já foi adotada em outros megaeventos realizados no Brasil, como a Copa do Mundo Masculina de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A ideia é evitar a apropriação do evento por outras marcas. 

As ações publicitárias da Fifa durante o evento também estarão regulamentadas pela lei brasileira. Também foi determinada a punição para quem usar símbolos oficiais de maneira não autorizada. 

A Federação também terá que ceder conteúdos com 3% do tempo das partidas para empresas jornalísticas que não têm o direito de transmissão e que queiram informar sobre o evento.

Fonte: Brasil de Fato

Foto: Ricardo Stuckert / PR/Divulgação