A construção civil em Sergipe atravessa um ciclo de forte crescimento, impulsionado pelos investimentos do Governo do Estado em infraestrutura, habitação e obras estruturantes. Entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor cresceu 35,94%, passando de 24.103 para 32.766, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O desempenho, superior ao de grandes estados do país, reflete um modelo de desenvolvimento que gera emprego, renda e oportunidades para milhares de sergipanos.
Sergipe vive um cenário inédito no ritmo de execução de obras públicas. É o que aponta o secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura, Luiz Roberto Dantas. “O estado de Sergipe vive um momento diferente, nunca visto, arrisco dizer, nos últimos 20 anos, no que diz respeito à execução de obras. Só na educação, já foram quase 90 escolas entregues, sejam reformadas, novas, climatizadas ou com quadras implantadas. Na saúde, tivemos o Hospital do Câncer e agora o Complexo Materno Infantil Nossa Senhora de Lourdes, que já começa a execução da obra. O programa Acelera Sergipe soma 105 obras entre concluídas, em execução, em licitação ou aguardando ordem de serviço, além de mais de 140 projetos sendo elaborados”, destaca.
Entre essas iniciativas, o secretário ressalta o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves, uma das maiores obras de mobilidade urbana em andamento no país. “O Complexo Maria do Carmo Alves emprega, hoje, cerca de 450 trabalhadores, com investimento em torno de R$ 320 milhões. O viaduto será entregue em maio de 2026 e o complexo completo em 2027. São obras que impactam diretamente a vida das pessoas, gerando trabalho e renda”, afirma.
O presidente da Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas (Aseopp), Luciano Barreto, reforça o papel das obras públicas no aquecimento da economia. “O que aquece a construção civil são as obras públicas, obras que a sociedade deseja e que são extremamente importantes. E isso é o que está acontecendo, atualmente, em Sergipe. Pela iniciativa do governador, o estado tem crescido muito com a execução de obras estruturantes que, ao longo do tempo, vão transformar Aracaju e todo o interior”, ressalta.
O canteiro como espaço de oportunidades
Nos canteiros de obras, o impacto dos investimentos é percebido no dia a dia dos trabalhadores. No Complexo Viário Maria do Carmo Alves, mulheres ocupam funções técnicas que, historicamente, eram vistas como masculinas. A assistente de qualidade Larissa Manoela Gama atua no controle de materiais e processos da obra. “Toda a parte de concreto, ferragem, armação e forma passa por a gente para garantir que esteja dentro da qualidade e da conformidade. É uma obra de grande porte, uma grande oportunidade para mim. Estou aprendendo muito”, declara.
Larissa, que retornou recentemente ao setor, destaca a importância da presença feminina. “Já trabalhei na construção civil há alguns anos, parei um pouco e voltei agora. Estou há três meses aqui e vejo como é uma oportunidade. Ainda existe preconceito, mas as mulheres têm um olhar diferenciado e mostram que também são capazes de executar e crescer nesse ambiente”, afirma.
O técnico de segurança do trabalho Felipe Saudalino, que atua há oito meses no Complexo Viário, vê nas grandes obras a chance de permanecer no próprio estado. “É uma obra gigante, que gera emprego de verdade. Trabalhei fora por muitos anos, em grandes empresas, mas, quando surgiu a oportunidade de voltar para Sergipe, ficar perto da minha família e atuar numa obra desse porte, aceitei na hora. Isso é fundamental para a economia do Estado”, relata.
Intervenções e retomada do trabalho
Outra frente de investimento é a obra do canal do Bairro Industrial, em Aracaju, que já alcançou cerca de 90% de execução, com investimento superior a R$ 6,6 milhões. A substituição do antigo revestimento de concreto por muros de gabiões garante mais segurança, durabilidade e eficiência no escoamento das águas pluviais.
No local, o servente Sandoval dos Santos, de 44 anos, relata como a retomada das obras públicas ampliou as oportunidades após a pandemia. “Na pandemia foi difícil, fiquei desempregado por alguns meses. Agora, está melhorando. Cada vez aparecem mais obras, mais oportunidade de emprego. A gente espera que venham ainda mais”, afirma.
Qualificação
Para manter um alto estoque de empregos em um setor marcado pela sazonalidade, o Governo do Estado tem investido em qualificação profissional por meio do Qualifica Sergipe. Segundo o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), Jorge Teles, esse movimento é essencial. “A construção civil é um setor diferente porque praticamente todas as vagas são temporárias. Para sustentar um nível alto como o que temos hoje, com mais de 32 mil trabalhadores com carteira assinada, é preciso manter grandes obras acontecendo em sequência. Hoje, temos obras em 56 municípios, algumas que sofrem com a falta de mão de obra, por isso, temos atuado tanto em cursos de qualificação”, pontua.
Para enfrentar esse desafio, o governo oferta mais de mil vagas de qualificação profissionalizante na área da construção civil, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com bolsa para transporte e alimentação. “O aluno entra no curso sabendo que ele tem aderência ao mercado. Ao concluir, ele já sai com uma entrevista de emprego. O objetivo é garantir que essas oportunidades fiquem com os sergipanos e levem mais dignidade às famílias”, completa.
Jorge Teles reforça que o foco do governo é atuar em duas frentes simultâneas. “Por um lado, fazemos grandes investimentos em infraestrutura. Por outro, preparamos o sergipano para ocupar esses postos de trabalho. O objetivo é gerar oportunidades e garantir que elas fiquem com quem vive aqui”, afirma.
Aluno do curso de revestimento cerâmico do Qualifica Sergipe, o pedreiro Carlos Roberto Ramos da Silva, com mais de 20 anos de experiência, vê na qualificação uma forma de se manter competitivo. “Sou pedreiro há mais de 20 anos e vi no curso uma oportunidade de acrescentar conhecimento. Não paguei nada e ainda recebo ajuda de custo. É uma chance de crescer junto com esse momento de expansão das obras”, conta.
Instrutora do Senai, Thayane Aparecida Santos Torres reforça que a procura pelos cursos é alta. “A construção civil cresce, mas há escassez de mão de obra. A qualificação gratuita insere quem não teria condições de pagar um curso e ajuda a suprir essa carência do mercado. As vagas são preenchidas rapidamente, inclusive por mulheres”, destaca.
Entre as alunas, Silvia Isabela Gomes da Silva, de 32 anos, ressalta a quebra de barreiras e preconceitos. “Hoje, não existe mais profissão masculina. É conhecimento que a gente agrega ao currículo e que pode abrir portas no futuro”, afirma.
Obras com impacto social e econômico
Além da infraestrutura urbana, o Governo do Estado também avança em obras com forte impacto social. A primeira-dama e secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), Érica Mitidieri, ressalta o papel do programa Casa Sergipana para o fortalecimento da construção civil. “A Casa Sergipana é um programa que olha diretamente para quem está na ponta, garantindo dignidade, segurança e melhores condições de moradia para milhares de famílias sergipanas. Quando investimos em habitação, transformamos a vida das pessoas dentro de casa, mas também movimenta toda uma cadeia fora dela. Além do impacto social, a Casa Sergipana tem um papel importante na geração de emprego e renda. Cada obra significa trabalho para pedreiros, serventes, mestres de obra, engenheiros e fornecedores locais, fortalecendo a construção civil e aquecendo a economia nos municípios”, afirma.
Já a secretária de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM), Georlize Teles, destaca que a construção da Casa da Mulher Brasileira vai além da estrutura física. “É uma obra fundamental para o enfrentamento à violência contra a mulher, mas, também, movimenta a economia. Não é apenas um prédio. Para colocar vida ali, é preciso contratar pessoas, gerar empregos e fomentar o trabalho, inclusive de mulheres que vão acolher outras mulheres”, conclui.
Foto : Erick O'Hara




