A incidência de cálculos renais tende a crescer cerca de 30% no verão, segundo estudos do segmento. O calor intenso, a maior transpiração e consequente perda de líquidos, leva a maior concentração de minerais nos rins, caso não haja a reposição de líquidos. Homens, mulheres e crianças são atingidos pelos cálculos e, nestes casos, o Instituto de Promoção e Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde) orienta consultar o médico urologista, especialista que cuida do aparelho urinário (rins, bexiga e ureteres).
O verão pede, naturalmente, maior hidratação e, como o Nordeste é a região mais quente no resto do ano, também é onde ocorre o maior número de casos de cálculos. Originados a partir de diferentes substâncias como o cálcio, que se concentram em forma de pequenas pedrinhas, a enfermidade pode causar dor, incômodo nos seus portadores e, em casos mais graves, a perda do rim.
Qualquer desconforto urinário, na região lombar, independentemente de ser homem ou mulher, a pessoa tem que procurar um urologista para fazer uma investigação. Já aqueles pacientes que, além disso, têm histórico familiar, devem ficar ainda mais atentos e buscar ajuda profissional para investigar o tipo de cálculo e direcionar o tratamento adequado para evitar a formação de novos cálculos.
Saúde dos rins
Segundo o urologista do Ipesaúde, Luciano Franco, que tem 27 anos de experiência na área, existem questões relacionadas ao calor e à hidratação, mas não é somente isso. “E, claro, no verão, acaba havendo uma concentração da urina bem mais acentuada e, consequentemente, maior deposição das soluções nos rins, provocando a formação de cálculos renais. Mas existe, também, uma tendência genética para algumas pessoas, tendência familiar de formar mais cálculos”, informa.
Existem diferentes tipos de cálculos, como os de ácido úrico, relacionado ao metabolismo, seja dos índices ou do aparelho urinário. Há, também, formação de cálculo de cálcio, esse, sim, associado à hidratação ou até mesmo com alguma alimentação. Os cálculos também podem ser provocados por infecção crônica, de fosfato, magnesiano, entre outros, que levam à formação de depósitos na urina, entre outros tipos.
“Existe uma infinidade de cálculos, mas qual a importância disso? Todos vão dar na mesma coisa, na crise da dor, que é o que incomoda e, muitas vezes, até nem incomoda. O problema é o prejuízo que ele pode causar porque, quando o cálculo obstrui o rim, ele causa dor na maioria das vezes, algumas vezes não, mas o problema maior é a perda do rim. Se a pessoa não tratar, isso pode provocar uma obstrução e, consequentemente, destruição do rim, que é a grande preocupação. Então, a nossa função é tratar a pedra e, também, prevenir a formação de novos cálculos. Não é simplesmente resolver, só tapar o buraco da estrada. Você precisa fazer com que aquele buraco não volte a aparecer”, explica Franco.
Beneficiário do Ipesaúde, Rinaldo Feitosa, da cidade de Propriá, é uma dessas pessoas que sofre com os cálculos. Há cerca de uma década, ele faz acompanhamento médico. Paciente do médico Luciano Franco, em sua consulta mais recente recebeu uma boa notícia. “Meu rim está limpo”, contou com um sorriso no rosto.
“Há bastante tempo que eu sofro de cálculo renal, já fiz várias cirurgias, já fui para o pronto-socorro várias vezes, tomei até morfina por conta da dor e não passou. Aí comecei a fazer a cirurgia para tirar os cálculos, principalmente no rim direito, onde tinha mais cálculos, e os meus eram duros, bem duros, mesmo. Então, com o doutor Luciano já foram três cirurgias, mas, graças a Deus, agora, a notícia foi boa. É só tomar água, é o remédio”, contou Rinaldo, explicando que sempre teve o costume de ingerir bastante água, especialmente no calor, mas, infelizmente, seu organismo tem tendência de criar cálculos.
Recomendação
De acordo com o urologista, para as pessoas que têm histórico familiar, uma boa indicação é fazer pelo menos o exame de ultrassonografia uma vez por ano, além disso, a melhor prevenção é a boa hidratação, com a ingestão de muito líquido o ano inteiro, sobretudo no verão.
O médico ressaltou, ainda, que crianças também podem ser acometidas por cálculos. “Na infância, há uma particularidade, geralmente tem uma causa definida e a criança também, pela elasticidade dos tecidos, tem uma facilidade maior de eliminação de cálculos. Então, às vezes, é mais fácil tratar, mas, claro, que sempre deve ser tratado na fase inicial porque, quando você demora muito a tratar, pode ter o risco desse cálculo crescer e causar complicações”, orientou Franco.
Outro grupo em particular que merece atenção são os pacientes de cirurgia bariátrica que, segundo o especialista, estão apresentando muitos casos. “Eles têm uma tendência maior de formação de cálculos renais, então esses pacientes também têm que se preocupar muito com a hidratação”, concluiu.




